Educação Financeira para todos

Por mais que seja algo natural, é sempre difícil lidar com perdas. Quando falamos de pessoas queridas, o processo de recomeço torna-se ainda mais complicado. Além de assimilar a nova rotina e adaptar-se à ausência, é necessário tomar conhecimento de toda a parte burocrática. O cenário se complica, quando o ente querido tomava conta de todas as responsabilidades financeiras da família. 

Perda de ente querido

Quando se trata de planejamento, por esse e outros motivos, é sempre recomendável que as decisões sejam todas compartilhadas. Desta forma, na ausência de um dos responsáveis, essa parte da rotina segue sem grandes traumas.

Caso você não tenha conhecimento dos processos da família, o indicado é não tomar decisões de longo prazo imediatamente. Dê tempo ao tempo, procure analisar a situação com calma, consultar documentos, controles financeiros etc. 

Papelada
No caso de perda do cônjuge, por exemplo, o primeiro passo é regularizar a documentação. Comece com o seguinte:

  • Certidão de Óbito
    Cópias da certidão de óbito serão necessárias para muitos procedimentos financeiros.
  • Apólices de Seguro
    São importantes por determinarem os benefícios aos quais o outro cônjuge tem direito. 
  • Certidão de Casamento - caso não consiga encontrar sua certidão de casamento, normalmente pode conseguir uma cópia no cartório onde se casaram.
  • Certidões de Nascimento - para Filhos Dependentes.
  • Lista completa de todos os bens

Coloque suas finanças em ordem
Caso o cônjuge receba um benefício de seguro de vida, deve poupar o dinheiro, colocando-o em uma conta que renda juros, como conta poupança ou fundo de investimento. É importante pensar sempre na liquidez do dinheiro, já que se pode precisar dele. 

Outra recomendação importante é se certificar sobre a situação do plano de saúde, entrando em contato com a companhia, confirmando a cobertura e qual sua duração. Caso não haja continuidade do plano de saúde, é indicado contratar um. 

Com a documentação reunida, é importante solicitar o quanto antes: 

  • Benefícios de Seguro de Vida– é muito provável que a companhia venha a pagar a indenização diretamente ao beneficiário designado ou, na ausência dele, ao cônjuge ou filhos. Pode demorar algumas semanas para receber os pagamentos. Se o cônjuge falecido estiver designado como beneficiário na apólice de seguro de vida ou nos planos de aposentadoria do(a ) companheiro(a), é necessário designar outro beneficiário.
  • Benefícios de Empregado– caso o cônjuge falecido tenha feito seguro de vida ou de acidentes pessoais, tenha direito a férias ou auxílio doença e outros benefícios, deve-se entrar em contato com o departamento de Recursos Humanos onde trabalhava, visando esclarecimentos. 
  • Benefícios da Previdência Social
    Se o cônjuge era beneficiário da Previdência Social, o(a) companheiro(a) pode requerer pensão. O requerimento pode ser feito pela Internet (http://www.previdencia.gov.br/) no prazo de até doze meses após o óbito, ou nas agências da Previdência Social a qualquer tempo, dentro do prazo de 05 (cinco) anos após o óbito. 

Testamentos
Um testamento é um documento que declara o que acontece aos seus bens após a morte. Além disso, determina quem herda os bens, quem será tutor dos filhos e quem será o testamenteiro - aquele que fica encarregado pelos negócios após sua morte. Se não houver testamento, todas essas decisões são tomadas de acordo com a lei, mediante abertura de inventário.

O testamenteiro fica encarregado de reunir os bens do falecido e distribuí-los de acordo com os termos explicados no testamento. Além de fazer a vontade do dono do testamento, será responsável ainda por, entre outras obrigações:

  • Administrar a herança e cumprir as disposições testamentárias
  • Iniciar o processo de inventário e partilha de bens
  • Lidar com credores e pagar as obrigações pendentes
  • Lidar com vendas e avaliações de propriedade
  • Prestar contas sobre o que recebeu e despendeu
  • Ter o testamento aprovado para legitimação, registrando-o no cartório competente.

Novo quadro financeiro
Uma vez resolvidas as questões financeiras imediatas, é necessário se inteirar da nova situação financeira. Elaborar um orçamento é o primeiro passo a ser dado para a segurança financeira.

É importante criar um orçamento anotando despesas, para descobrir para onde o dinheiro está indo. Use contas de cartão de crédito e extratos bancários de anos passados, como guias de seus hábitos de consumo. Em seguida, calcule o valor futuro de suas novas contas. Não deixe de incluir despesas para lazer, vestuário e outras importantes categorias de despesas. Inclua algum dinheiro para poupança. Você pode demorar alguns meses para fazer a sintonia fina de seu orçamento.

Em seguida, calcule sua renda mensal. Não inclua a renda potencial - somente a renda que você tem certeza de que vai receber. Certifique-se de que sabe que benefícios você receberá e por quanto tempo.

Compare suas despesas orçadas com sua renda. Se você tiver renda adicional, deverá tentar poupar ainda mais. Se suas despesas forem maiores do que sua renda, precisa cortar suas despesas até que elas correspondam aos seus ganhos.

Perda de ente querido

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